Voluntariedade e Qualidade

QualidadeO potencial do ser humano parece não ter limites; e apesar de sua natureza voraz, ele possui – quando quer – uma imensa capacidade de ajudar. Nota-se que existem vários projetos pela internet (ou fora dela) que funcionam sem fins lucrativos; sejam eles de grande porte como distribuições linux, ou simples grupos de legenders.

Iniciativas para formação desses grupos me enchem os olhos, mas uma questão chama sempre minha atenção: Até onde vai o comprometimento por parte dos membros?

Em uma certa comunidade de um determinado seriado no orkut, presenciei um fato curioso: O grupo responsável pela criação das legendas atrasou cerca de duas semanas, e por fim quando liberaram o arquivo, algumas falas não estavam sincronizadas e a tradução apresentava vários erros ortográficos.

Tudo na mais perfeita normalidade, até que um membro da comunidade depois de agradecer, fez uma crítica apontando os erros da legenda e questionando o porque da demora. Parecia que haviam entrado em estado de alerta. Choveram comentários do tipo: “Os caras perdem o tempo deles pra fazer algo pra gente sem cobrar nada e você ainda reclama? Pelo amor de Deus hein?!”

Pronto, batemos de frente com a questão levantada. Sabe-se que cada membro da staff possui seus problemas pessoais ou sofrem com os mais inoportunos imprevistos, mas é certo abrir mão da qualidade por isso? Ao se candidatarem para a criação das legendas, a staff assumiu um compromisso com os fãs da série, e devem manter um padrão de qualidade em respeito a eles.

Uma outra forma de exemplificar essa questão é com as distros linux citadas no início. Certos usuários já notaram os defeitos nas traduções do Ubuntu por exemplo; a julgar pelo alvoroço criado quando se acha erros na tradução do Windows, os usuários procuram se safar com a velha desculpa de que os responsáveis não recebem nada pelo que fazem.

Erros - Linux

Sem dúvida a equipe merece aplausos por se comprometer com o árduo trabalho, mas acabam por cometer os mesmos erros de seu concorrente que tanto criticam.

Tudo pode ficar ainda mais sério; imagine que um médico se torne voluntário para ajudar vítimas no oriente médio. Ao chegar lá ele realiza um trabalho precário botando em risco a vida de seus pacientes. O fato de ele não estar sendo pago e realizar o trabalho voluntariamente justifica a péssima qualidade do mesmo? Creio eu que não.

Resumindo: O fato de não ser uma ação remunerada não é desculpa para a mediocridade, seja o projeto de mínima ou máxima importância; cabendo aos usuários cobrarem por algo bem feito.


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